segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Um Governo Mundial?????


Como é que a gente põe a pobre e, a esta altura, valente Honduras no mundo? Comecemos assim: a população do país - 7,6 milhões de pessoas - corresponde à do estado do Pará, que tem 7,4 milhões. Em área, no entanto, o estado do Norte do Brasil vence, literalmente, em 11 a 1: é dez vezes maior. Estão começando a entender? Em reais, os PIBs nem se distanciam tanto: R$ 44 bi para o estado contra R$ 55 bi para o país. Então ficamos assim: é como se o mundo inteiro tivesse resolvido pressionar um estado do Pará menor do que o estado do Ceará…

Dali vem o grande perigo!!!

Estamos diante de uma piada trágica. Ensaia-se, para Honduras, um arremedo do que seria um “governo mundial”, não mais regido por leis próprias, mas por uma certa “Ordem Internacional”, de que fariam parte organismos multilaterais e entidades que se dizem defensoras de direitos humanos, todos eles coalhados de herdeiros do extinto comunismo ou da luta anticolonialista e das muitas variantes do islamismo antiocidental.

A composição de tais organismos explica por que se tenta impor a Honduras um governo rejeitado pela esmagadora maioria dos hondurenhos, mas se prega “respeito” a ditaduras sanguinárias da África, do Oriente Médio ou da Ásia. Quantos ficaram com vontade de vomitar quando, na cúpula América do Sul-África, Chávez, o ditador venezuelano, elogiou Mugabe, o ditador do Zimbábue, no poder há 30 anos? E ele o fez nestes termos: “Mugabe, esta cúpula o apóia por sua luta anticolonialista; este homem deu sua vida pelo Zimbábue”. Lula aplaude. Gente como Chávez e Mugabe ocupa postos-chave na maioria dos conselhos da ONU - exceção feita ao de Segurança. O Brasil pretende um lugarzinho lá, para falar em nome dessa corja; para fazer o que está fazendo em Honduras.

ONU, OEA e líderes mundo afora agem e opinam como se Honduras não tivesse uma Constituição. Celso Amorim pergunta por que não as instituições daquele país não optaram pelo impeachment; José Miguel Insulza defende a prorrogação do mandato, que nem existe mais, de Zelaya; cretinos de todos os quadrantes sustentam que o que caracteriza o golpe de estado é o bandoleiro ter sido retirado de pijama do país; o Brasil ajuda a patrocinar a volta do sujeito e lhe entrega a embaixada, ao arrepio de qualquer lei internacional, como base da insurreição. Querem Honduras como terra de ninguém, sem leis próprias, experiência-piloto de uma espécie de governo mundial da ONU, OEA e suas ONGs.

Para os bolivarianos, populistas e afins da América Latina, a resistência hondurenha tem de ser esmagada porque é preciso deixar claro o absolutismo das urnas. As eleições viraram o caminho mais curto para o golpe de estado. No Brasil, o petismo entende a sua chegada ao poder como um processo que busca não exatamente o fortalecimento da democracia e do país, mas o fortalecimento do PT. Não por acaso, dia desses, numa entrevista, Lula mandou ver: “O Brasil é um dos únicos partidos no mundo…” Aos líderes da esquerda latino-americana — e pouco importa se é esquerda carnívora ou herbívora —, interessa proclamar esse absolutismo porque isso lhes daria carta branca para agir, inclusive ao arrepio do Judiciário, como fez Zelaya. Em Honduras, a Corte Suprema declarou a tal Quarta Urna ilegal, e ele não deu a menor bola. Afinal, fora eleito!!!

Honduras está só e luta contra ditaduras que nunca viram uma urna e ditaduras que endeusaram as urnas.


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O socialista chileno José Miguel Insulza, secretário-geral da OEA, é um desses filocubano-bolivarianos que estão infiltrados em organismos multilaterais. Qualquer pessoa responsável, que estivesse realmente interessada no fim da crise hondurenha, defenderia a realização de eleições como resposta pacífica à crise - elas estão previstas, diga-se, para novembro. Não havia restrições a qualquer candidato, inclusive a aliados de Manuel Zelaya. Mas Lula, Hugo Chávez, Daniel Ortega e Maurício Funes acharam que a solução não era boa. Eles queriam testar o poder de intervenção dos bolivarianos. E armaram a pantomima potencialmente sanguinária a que se assiste.

Desde o primeiro dia da deposição de Zelaya, Insulza - o maior defensor, depois de Lula, da admissão da tirania cubana à OEA - tem investido na crise. Ele foi o primeiro a sugerir que não se reconhecesse o resultado das eleições de novembro, tese depois abraçada por muita gente mundo afora. Sem a reinstalação do bandoleiro na Presidência, diz, nada feito.

Ocorre que Zelaya só conseguiria governar sob uma ditadura, não é? E eu nem preciso explicar por quê. Nesta segunda, Insulza voltou a defender a tese do adiamento das eleições. Este vagabundo internacional já deixou claro que pretende o que chama de “prorrogação” do mandato de Zelaya, compensando os meses em que ficou fora do poder.

Não há uma só linha na Constituição do país que permita tal coisa.



Reinaldo Azevedo

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