sábado, 12 de setembro de 2009

O devastador poder da chuva

Na natureza, a energia liberada por uma grande tempestade
só tem paralelo nas erupções vulcânicas e nos terremotos.
Seu poder destruidor equivale ao das bombas atômicas


Leandro Beguoci


Chuvas fortes, que duraram 24 horas praticamente sem trégua, instalaram o caos em São Paulo na terça-feira passada. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 78 milímetros de precipitações na cidade. O recipiente usado na coleta para medição de chuva é uma lata com boca de 203 milímetros. Se todos os 1 523 quilômetros quadrados da superfície do município fossem cobertos com esses medidores, eles teriam coletado, no total, 118,8 bilhões de litros de água, volume suficiente para abastecer a capital paulista por 21 dias. Se toda essa água tivesse sido coletada por um único grande medidor com 1 metro quadrado de base, ele precisaria ter 118 800 quilômetros de altura – 31% da distância entre a Terra e a Lua. Acontecimentos como as chuvas de São Paulo servem para lembrar a fragilidade do ser humano diante das forças colossais da natureza. Por mais que ele procure se prevenir contra os fenômenos naturais, quase sempre é derrotado. Até mesmo as cidades mais bem preparadas para enfrentar terremotos sucumbem a eles. Não há obra de engenharia capaz de deter tsunamis ou evitar erupções vulcânicas.

O temporal em São Paulo foi produzido por dois fatores. O primeiro deles é o excesso de chuvas na Amazônia. Estima-se que 60% das chuvas que caem na cidade tenham origem na evaporação dos rios daquela região. Neste ano, a profundidade do Rio Negro, por exemplo, passou de 50 para 100 metros em alguns pontos. A consequência disso é que as correntes de ar que trazem a umidade da Amazônia para São Paulo vêm muito mais carregadas. Os "rios voadores" que causam chuva na capital paulista estão com um volume de vapor-d’água muito maior do que o normal. O segundo fator que provocou a chuvarada em São Paulo foi uma frente fria vinda da Antártica. Essa massa de ar frio condensou a grande umidade do ar, que se transformou em chuva. O resultado foi um temporal com características de tempestade de verão – mas com duração muito mais longa. A tempestade alagou 119 pontos da maior cidade do país e paralisou 160 quilômetros de ruas e avenidas, entre elas as duas principais artérias de escoamento do trânsito, as marginais dos rios Tietê e Pinheiros. As inundações continuam a afligir as cidades e a fazer vítimas.


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