quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Mais detalhes da Festa Bolivariana em Honduras


É claro que o governo provisório de Honduras está por um fio. Lula pediu, e vai ter, uma reunião com Barack Obama, presidente dos EUA, o principal responsável pela tragédia que acomete aquele pequeno país. A ONU retirou o que chamava de assistência ao processo eleitoral do país. Na prática, diz que não reconhece mais o pleito de novembro. E, agora, não há mesmo como ele se realizar.

Cumpre-se, assim, o principal objetivo da tramóia em que se meteu o Brasil. O objetivo era este mesmo: melar as eleições. Hugo Chávez e Miguel D’Escoto, o sandinista que preside a Assembléia Geral da ONU, já haviam dito que exigiam a volta de Zelaya e a prorrogação de seu mandato, “descontando-se” o tempo em que ficou afastado do poder.

A equação é simples:
a - exige-se a restituição de Zelaya:
b - adiam-se as eleições;
c - logo, prorroga-se o mandato.

É preciso lembrar que Roberto Micheletti, inicialmente, havia aceitado o tal Plano Arias: Zelaya seria restituído, uma junta com representantes dos três Poderes se formaria para acompanhar o governo, a tal proposta de consulta para mudar a constituição seria cancelada, e novas eleições se fariam em novembro. O presidente deposto chegou a titubear, mas Chávez falou por ele. Classificou a proposta de um golpe dos EUA, imaginem… E Zelaya fincou pé: exigia a volta sem condicionantes e a punição dos “golpistas”. E se chegou ao impasse.

As eleições de novembro tendiam a resolver tudo. Arias já havia dito que considerava que poderia estar ali uma solução. E, então, entraram em cena Chávez, Lula e Ortega. Voltaremos a este assunto. Por agora, sintetizo: para os candidatos a populistas absolutistas do continente, a única solução aceitável era e é a restituição de Zelaya. A mensagem que tem de ficar é esta: ninguém toca num presidente eleito, ainda que ele sabote a Constituição.

Tudo sob as bênçãos de Barack Hussein, aquele que agora se orgulha do fato de que os EUA não podem “resolver todos os problemas do mundo”.

O golpe da trinca Lula-Chávez-Ortega já deu certo.

........
Fala do Senador Demóstenes Torres

O texto que segue é da Agência Senado. Em seu discurso, protestando contra a atuação do Brasil na crise de Honduras, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) fez referência a este blog. Leiam.

Da Agência Senado:
Em relação ao ministro das Relações Exteriores, Demóstenes disse que Celso Amorim, suportado pelo presidente Lula no posto que deveria ser a vitrine globalizada do Brasil, é “mega nas trapalhadas e nanico como formulador de política externa”.

“No futuro, o presidente poderia ser lembrado por medidas acertadas, mas o conjunto de absurdos cometidos por Celso Amorim é tamanho que o tornarão inesquecível. Lula ao menos é autêntico, não mente ter doutorado, não finge ser especialista em diplomacia, apenas almeja ser eterno” - disse.

Para Demóstenes, um dos contos em que Lula caiu foi o de liderar o “bloco dos esfarrapados” e, com isso, conseguir uma vaga no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o senador, “no estapafúrdio planejamento de Amorim”, o Brasil perdoaria a dívida de países africanos e atribuiria as crises “aos olhos azuis dos europeus, rosnaria com os Estados Unidos, seria um gatinho com a Bolívia, ouviria atentamente Chávez e berraria com Bush”.

Assim, disse Demóstenes, o Brasil seria automaticamente o representante dos países pequenos, enquanto os membros permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) se sentiriam pressionados a ampliar o Conselho de Segurança apenas para satisfazer o pleito de Amorim.

“Claro, deu tudo errado, como é praxe nas ações do chanceler”, afirmou.

Demóstenes disse que o “repertório de assombros de Amorim é infinito” e que ele colocou o presidente Lula em outra “roubada”, ao autorizar a transformação da embaixada brasileira em Tegucigalpa em “comitê eleitoral pró-retorno de Manuel Zelaya à presidência de Honduras”.

“O volume de princípios de diplomacia violados nos dois dias de Zelaya no papel de embaixador brasileiro não pode ser maior que a alegada amizade entre o derrubado líder hondurenho e o presidente brasileiro”, afirmou.

Demóstenes disse, ainda, que além de se envolver em assuntos internos de Honduras, o chanceler convenceu o presidente Lula a usar a Assembléia Geral da ONU, iniciada nesta quarta-feira, para pedir a volta de Zelaya com o argumento de que “o tempo e o espaço não aceitam mais ditaduras”.

“Só que o assunto seguinte do trapalhão foi a defesa da mais duradoura ditadura das Américas, a de Cuba. Ou seja, Zelaya tem de voltar ao poder porque instalou-se um regime de exceção em Honduras. E o presidente Obama está errado em manter o embargo a Cuba porque os irmãos Castro são estereótipos de democracia”, ironizou.

Ao final do pronunciamento de Demóstenes, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) tentou rebater as críticas feitas a Celso Amorim, mas o presidente do Senado, José Sarney, encerrou o debate para dar início à sessão do Congresso Nacional.

Reinaldo Azevedo

Nenhum comentário: