quarta-feira, 10 de julho de 2013

Quanto vale o Médico?


Acho que Ayn Rand nunca foi tão atual....



"Parei quando a medicina foi colocada sob controle estatal há alguns anos - contou o Dr. Hendricks. - A senhorita imagina o que é preciso saber para operar um cérebro? Sabe o tipo de especialização que isso requer, os anos de dedicação apaixonada, implacável, absoluta para atingi-la? Foi isso que me recusei a colocar à disposição de homens cuja única qualificação para mandar em mim era sua capacidade de vomitar as generalidades fraudulentas graças às quais conseguiram se eleger para cargos que lhes conferem o privilégio de impor sua vontade pela força das armas. Não deixei que determinassem o objetivo ao qual eu dedicara meus anos de formação, nem as condições sob as quais eu trabalharia, nem a escolha de pacientes, nem o valor de minha remuneração. Observei que, em todas as discussões que precediam a escravização da medicina, tudo se discutia, menos os desejos dos médicos. As pessoas só se preocupavam com o "bem-estar" dos pacientes, sem pensar naqueles que o proporcionavam. A ideia de que os médicos teriam direitos, desejos e opiniões em relação à questão era considerada egoísta e irrelevante. Não cabe a eles opinar, diziam, e sim apenas "servir". Que um homem disposto a trabalhar sob compulsão é um irracional perigoso para trabalhar até mesmo num matadouro é coisa que jamais ocorreu àqueles que se propunham a ajudar os doentes tornando a vida impossível para os sãos. Muitas vezes me espanto diante da presunção com que as pessoas afirmam seu direito de me escravizar, controlar meu trabalho, dobrar minha vontade, violar minha consciência e sufocar minha mente - o que elas vão esperar de mim quando eu as estiver operando? O código moral delas lhes ensinou que vale a pena confiar na virtude de suas vítimas. Pois é essa que virtude que eu agora lhes nego. Que elas descubram o tipo de médico que o sistema delas vai produzir. Que descubram, nas salas de operação e nas enfermarias, que não é seguro confiar suas vidas às mão de um homem cuja vida elas sufocaram. Não é seguro se ele é o tipo de homem que se ressente disso - e é menos seguro ainda se ele é o tipo de homem que não se ressente."

Dr.Hendricks, personagem do livro "A Revolta de Atlas", Ayn Rand

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Relação das FARC com o Foro de São Paulo


Interrogado pelos jornalistas, Raúl Reyes, líder guerrilheiro colombiano, admitiu em sua recente visita à Venezuela que as FARC formam parte do chamado Foro de São Paulo. Vejamos a que se referia.

Depois da queda do Muro de Berlim em 1989 e da derrubada do comunismo na ex-União Soviética, Fidel Castro decidiu substituir o apoio que recebia do Bloco Oriental pelo de uma transnacional latino-americana.

Aproveitando o poder parlamentar que tinha o Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil, Fidel Castro convocou em 1990, junto com Luis Inácio “Lula” da Silva, todos os grupos guerrilheiros da América Latina a uma reunião na cidade de São Paulo.

Além do próprio PT e do Partido Comunista de Cuba, acudiram ao chamado o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC); a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) da Nicarágua; a União Revolucionária Nacional da Guatemala (URNG); a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) de El Salvador; o Partido da Revolução Democrática (PRD) do México; e várias dezenas mais de grupos guerrilheiros e partidos de esquerda da região que iam se juntando ao longo dos anos, como o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) do México.

Alí decidiram formar uma organização que se auto-denominou Foro de São Paulo.
Para dirigi-lo centralizadamente, criaram um Estado Maior civil, dirigido por Fidel Castro, Lula, Tomás Borge e Frei Betto, entre outros, e um Estado Maior militar, comandado também pelo próprio Fidel Castro, o líder sandinista Daniel Ortega, e no qual tem um papel importante o argentino Enrique Gorriarán Merlo.

Gorriarán Merlo foi fundador do Exército Revolucionário do Povo (ERP) e posteriormente do Movimento Todos pela Pátria (MTP). Gorriarán Merlo é o autor do ataque terrorista de janeiro de 1989 ao regimento de infantaria La Tablada, em Buenos Aires, no qual morreram 39 pessoas, e foi quem encabeçou a esquadra que assassinou Anastasio Somoza em Assunção, Paraguai, em setembro de 1980.

Gorriarán Merlo também organizou a maquinaria militar do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), o mesmo que há três anos e meio tomou a residência do embaixador japonês em Lima.
O Foro de São Paulo tem um sistema de comunicação permanente, e até produz uma revista trimestral própria, denominada América Livre.
Estabeleceu uma forma sólida e permanente de financiamento, baseada em sequestro, roubo de gado, cobrança de impostos, assaltos a bancos, pirataria, narcotráfico e demais atividades ilegais que rotineiramente praticam os grupos guerrilheiros na América Latina.

Tendo em vista que o marxismo dos anos sessenta já estava caduco e desprestigiado, os diretores do Foro de São Paulo decidiram adotar formalmente diversos disfarces:

um foi o do indigenismo, ou a suposta luta pelos direitos dos indígenas, para encobrir a formação de grupos guerrilheiros (Exército Zapatista de Libertação Nacional), e também a promoção do separatismo, argumentando que os territórios ocupados pelas tribos indígenas são próprios e não do Estado nacional.

Outro foi o do ecologismo radical que, alegando a proteção do meio ambiente, justificou a ação de terroristas que obstaculizaram o avanço do Estado em obras públicas de infraestrutura como rodovias e tensão elétrica.

E finalmente, o de uma versão extremista da chamada Teologia da Libertação (Frei Betto, Leonardo Boff, Paulo Evaristo Arns), com o objetivo de dividir a Igreja Católica e justificar a violência com argumentos supostamente cristãos.

Segundo um informe da AP, datado em Montevidéo, Hugo Chávez se inscreveu no Foro de São Paulo em 30 de maio de 1995. Isto foi confirmado por Pablo Beltrán, líder do ELN, em uma entrevista realizada pela Globovisión em 17 de novembro de 1999.
Há quatro anos o investigador colombiano Jesús E. La Rotta publicou um livro intitulado As Finanças da Subversão Colombiana, no qual revela os resultados de suas investigações sobre as fontes de financiamento das FARC, do ELN e do EPL.

Fazendo uso de numerosos gráficos e tabelas, La Rotta identifica seis formas ou modos gerais por meio dos quais os guerrilheiros colombianos obtêm entrada de dinheiro, a saber:

a extorsão em menor escala, como os impostos, o bilhete e a cobrança de pedágios, de onde obtêm um total de 1.030 milhões de dólares ao ano;

a extorsão em grande escala a empresas nacionais e multinacionais nos diversos setores como o petroleiro, agrícola, pecuário, industrial, comercial e financeiro, de onde arrecadam 5.270 milhões de dólares anuais;

o abigeato ou roubo de gado, de onde recolhem 270 milhões de dólares anualmente; os assaltos, por meio dos quais conseguem 400 milhões de dólares ao ano;

a pirataria, seja terrestre, fluvial, marítima ou aérea, que lhes rende 150 milhões de dólares em depósitos anuais e, finalmente, o narcotráfico, de onde obtêm 1.130 milhões de dólares ao ano.
udo isso soma oito mil duzentos e cinquenta (8.250) milhões de dólares ao ano, cifra muito superior aos orçamentos de todas as Forças Armadas Nacionais de todos os países andinos.

Todavia, La Rotta admite que se tratam de cifras de 1994, e explica que “os grupos subversivos, em particular as FARC e o, entraram em franco processo de substituição dos cartéis da droga desmantelados e que, cumprido tal processo, se fechará o círculo do enriquecimento quando incorporarem em plenitude o produto global do narcotráfico, que pode representar-lhes depósitos de dinheiro superiores”.

Poucos meses depois de haver-se publicado o livro de La Rotta, saiu o livro O Cartel das FARC, elaborado por major colombiano Luis Alberto Villamarín Pulido, o qual alega que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia constituem o terceiro e mais poderoso cartel das drogas.

Embora já existissem provas da vinculação do ELN e das FARC com o narcotráfico, os documentos retidos em 31 de janeiro de 1996 das quadrilhas 14 e 15 das FARC, por tropas da Brigada 12 em Paujil (Caquetá), comprometem ainda mais os guerrilheiros com o tráfico de drogas: aparecem as frequências de VHF e inúmeros telefonemas dos capos do Cartel de Cali, assim como atas de reuniões entre as FARC e os narco-traficantes.

O livro está cheio de afirmações impressionantes, como esta:

“A infraestrutura do cartel das FARC tem todos os elementos de organização e controle próprios dos bandos de mafiosos que inundam o mundo civilizado com o tráfico ilícito de cocaína, com o agravante de que ameaçam camponeses, envolvendo-os com as milícias bolivarianas e o partido comunista clandestino.

A ação dos delinquentes do cartel das FARC ultrapassa as fronteiras nacionais”.


por Alejandro Peña Esclusa em 16 de outubro de 2002Fuerza Solidaria - Venezuela

#ForaForodeSãoPaulo


terça-feira, 25 de junho de 2013

Manifestação contra o Foro de São Paulo



O Foro de São Paulo é um órgão criado por Fidel Castro e Lula em 1990 que tem articulado toda a esquerda da America Latina, com intenções auto declaradas de 'recuperar na America Latina, o que se perdeu no Leste Europeu (Queda do muro de Berlin e URSS)'' - nas palavras de Castro.
Ao longo de todos esses anos, entre esses planos e, além de auxiliar no financiamento da ditadura cubana que perdera patrocínio, articularam a candidatura e elegeram Lula, Hugo Chavez, além de outros presidentes ligados as guerrilhas e as FARC no equador, Colômbia, e vários outros países, além da própria Dilma Roussef.

Os membros desse Foro, governam hoje praticamente 70% da America Latina e mantém representações e ligações abertas com guerrilhas de todo o continente e até da Europa.

Em vários casos, o caos montado no Brasil nos dias de hoje, se repetiu em cenários igualmente preparados para a insurreição, com manifestações nas ruas, baderneiros infiltrados, falta de liderança, caos estabelecido... e antes disso, a total falta de oposição.

Muitos desconhecessem ainda a responsabilidade do Foro de São Paulo sobre a confusão que vive o Brasil, e nossa tarefa antes de sair às ruas será de instruir e convidar as pessoas à compreensão dos detalhes desse Foro de SP.








ATAS ORIGINAIS DO FORO: CLICK AQUI

o Foro de SP em 10 capítulos: CLICK AQUI


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Entrevista com Luiz Felipe Pondé



Fumando um charuto cubano Montecristo, o filósofo Luiz Felipe Pondé recebe IMPRENSA no escritório-biblioteca de seu apartamento na zona oeste de São Paulo. “É o único produto cubano que aprecio. Talvez, o único produto cubano que exista", brinca.
Na sala repleta de livros, muitos empilhados no chão, e estantes cheias de imagens religiosas – de santos a orixás – o filosofo ateu (desde os oito anos) trabalha às segundas, terças e quartas. Na quinta, dá aulas na Faap. Na sexta, vai à Faap pela manhã, PUC pela tarde e TV Cultura à noite.

Colunista às segundas da “Ilustrada”, da Folha, é, hoje, um intelectual pop. Mesmo imerso em temas densos, está na TV, revistas e é best-seller, principalmente com os seus "Contra um mundo melhor" [Editora Leya, 2010] e o “Manual do Politicamente Incorreto da Filosofia” [Editora Leya, 2012].

Não é incomum ouvir seu nome associado a outros adjetivos como direitista, conservador, “reaça” (para os leigos: reacionário). E outros menos gentis. Entre adeptos e adversários, certo é que ele é polêmico. E não nega os dois últimos “rótulos”.

“Eu me vejo como um liberal conservative [um direitista liberal]. Sou conservador em política, liberal no resto. Por exemplo, sou a favor do casamento gay. Eu me sinto uma pessoa muito mais liberal e menos moralista do que pessoas de esquerda que conheço”, diz.

Em entrevista exclusiva à IMPRENSA, Pondé fala da dicotomia direita/esquerda, PT, Chávez, Deus, e, é claro, mídia e imprensa. Como de praxe, bem longe do muro. “É bom ter um veículo como a Vejaque chamou a responsabilidade para si de fazer oposição, já que não existe oposição no país.” Confira o papo na íntegra.

MÍDIA E IMPRENSA

IMPRENSA – O politicamente correto também pauta a mídia e a imprensa brasileira?
LUIZ FELIPE PONDÉ – Está presente, sim. E tem se instaurado pelas universidades, pelas ciências sociais, pelo curso de jornalismo, pela escola de direito, de magistratura e tudo mais. Isso tudo acaba desaguando na mídia, porque o jornalista, na sua raiz, tem uma imagem de si mesmo como uma espécie de pregador do bem, que vai corrigir os problemas do mundo. 

A seu ver, assumir qualquer papel nesse sentido é bobagem?
Sabe aquela piada de que a diferença entre o publicitário e o jornalista é que ambos vão para o inferno, mas que o jornalista não sabe? O jornalista se vê como um cara puro. Muitas vezes, o que dá viés no jornalismo é a ideologia do editor, do repórter. É na pergunta que ele faz. Isso é pior no jornalismo do que o dono do jornal. Quer ver outra forma, esta indireta, de politicamente correto? No medo, medo de escrever. Uma das coisas que os leitores identificam em mim é que eu não tenho medo do leitor, não estou preocupado em agradá-lo.

O jornalismo brasileiro está cheio de medo?
Sim. Pelo menos o opinativo está. É menos medo consciente, e mais medo de não agradar o leitor.
Você fala o que todo mundo quer porque faz parte do pacotinho ético que se espera de você. Isso é o politicamente correto comendo pelas bordas. Um dos problemas das democracias é que ela revelou aos idiotas a sua maioria numérica. Essa é do Nelson Rodrigues.
Discute-se muito se a mídia deve ser isenta ou pode ser política. Qual é o "modelo" de imprensa que mais te agrada?
Acredito mais no modelo de veículo plural, como a Folha, que publica eu e o [filósofo Vladimir] Safatle. Isso gera controvérsia e polêmica. No contexto nacional, você pode ter um veículo como a Folha, outro como o Estadão, que tem uma linha editorial que não é conservadora liberal como muita gente acha que é, porque a massa média das redações é de formação de esquerda. 

E qual é sua opinião sobre a Veja?
Acho importante que exista uma revista como a Veja, que assume que é conservadora liberal, que chamou para a si a responsabilidade de fazer oposição, já que não existe oposição no país. Nós temos um partido no poder que tem um projeto de esquerda de nunca mais sair do poder. E isso é perigoso. A saída da Veja é honesta.

Veja está só nessa?
Se você compara Estadão à Veja, a Veja é a verdadeira liberal conservative no Brasil. O Estadão é conservador no sentido de não gostar de polêmica. Isso faz com que ele faça matérias e análises muito boas e densas, mas é um jornal bem comportado. O Estadão é um conservador comportado e a Veja é um conservador rebelde.

Como você vê o jornalismo da Carta Capital, por ser mais à esquerda e mais sintonizada com o governo?
É o veículo da esquerda brasileira. É honesta, sendo de esquerda. O problema é que a esquerda tem uma desonestidade de se achar pura. A esquerda herdou um puritanismo hipócrita do cristianismo medieval e moderno. O [escritor Mario Vargas] Llosa fala uma coisa muito boa. A esquerda perdeu em tudo, menos na cultura. Ela domina a cultura. Aí é forte, porque aí ela vai formando cabeça. A Carta Capital não acha que está em uma luta política, mas na luta do bem. 

POLÍTICA, DIREITA E ESQUERDA

Como você tem visto a defesa da regulação da mídia, principalmente por parte do PT?
Toda forma da regulação sempre foi em nome do bem. E hoje continua assim. Os que querem regular, regulam sempre em nome do combate a algo ruim. Acho que a regulação deve vir dos próprios veículos.

Você se assume como conservador de direita. O que é isso para você?
Eu me vejo, como se fala em inglês, um liberal conservative. Sou conservador em política, liberal no resto. O que é isso? Acho que tem que ter propriedade privada, regime democrático republicano constitucional. A democracia é um regime imperfeito. Agora, acho que as pessoas têm a possibilidade e o direito de procurar realizar os sonhos delas de viver do jeito que quiserem. Lembro que em uma sabatina da Folha, três anos atrás, me perguntaram: "Você é a favor ou contra o casamento gay?" Eu disse: "Eu sou a favor." Reagiram: "Como assim?" Então, tem essas dicotomias bobas. Eu me sinto uma pessoa muito mais liberal e menos moralista do que as pessoas de esquerda que conheço.
Apesar da polêmica de números e métodos (como as políticas assistencialistas), é inegável que o PT tenha executado uma política efetiva contra a miséria. É possível criticá-la de forma absoluta?
Só se pode redistribuir renda quando há aumento de produtividade real da sociedade. Já estamos pagando a conta da farra das bolsas agora.

Um governo como o de Chávez, na Venezuela, não primou pelo compromisso democrático em vários casos, mas fez um "acerto de contas" em benefício da classe historicamente explorada, a indígena. O governo chavista deixa alguma lição para países colonizados, como o Brasil?
Não, a não ser o velho caudilhismo na América Latina. Não vejo como se pode "fazer justiça social" dando coisas pras pessoas. "Justiça social" é mercado econômico ativo. Quando você torna alguém cliente do estado, você destroi o caráter da pessoa. Não concordo com a ideia de vitimas históricas.

Quando se fala em "direita" e pensamento conservador no Brasil, pensa-se logo em ditadura. O problema está em certo autoritarismo da direita ou na incapacidade de ela se desvencilhar deste rótulo?
Associar pensamento liberal conservative com ditadura é um falta de conhecimento e mau-caratismo da esquerda, que se saiu bem da ditadura mantendo os "meios de produção da cultura" e destruindo qualquer debate real de ideias. Não existe opção partidária para quem é liberal conservative (ou direita liberal em português) no Brasil.

OUTROS PAPOS
Mudando um pouco de assunto. Na sua opinião, que mídia é a Internet?
É uma plataforma extremamente importante, que mudou a forma de se comunicar, mas junto traz o
que é de bom e o que é de bosta. A banalidade do ser humano vem à tona, porque deu voz a todo mundo. Grande parte da vida é dominada por essas coisas. Você é tragado por "eu tenho dinheiro ou não tenho", "sou amado ou não sou", "consigo transar ou não consigo", "consigo comer ou não", "tenho casa ou não tenho." Isso aparece na Internet. Sabe essa coisa de você colocar uma foto de dentro de um avião, porque você nunca andou de avião, ou uma foto da casa própria, porque você nunca teve?

Para finalizar, o ateísmo é a "categoria" que melhor define sua opinião sobre Deus?
O primeiro momento que me lembro como ateu, tinha oito anos. Lembro do dia, inclusive. Tenho o sentimento de que, aos oito ou dez anos, eu já era mais ou menos quem sou hoje. Escrevi isso no livro que eu publiquei com o João Pereira Coutinho e o Denis Rosenfield, “Porque virei à direita” [Ed. Três Estrelas, 2012]. Mas, hoje, acho o ateísmo banal, é a hipótese mais fácil. Ao mesmo tempo, acho Deus uma hipótese elegante. A ideia de que exista um ser inteligente, bondoso, que gerou o mundo, é filosoficamente interessante. Mas, não sinto necessidade no meu dia a dia. Nasci sem órgão metafísico.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Isso não te incomoda?





O que significa “ser governado”?




Ser governado significa ser observado, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, 
regulamentado, cercado, doutrinado, admoestado, controlado, avaliado, censurado, comandado; e por criaturas que para isso não tem o direito, nem a sabedoria, nem a virtude… Ser governado significa que todo movimento, operação ou transação que realizamos é anotada, registrada, catalogado em censos, taxada, selada, avaliada monetariamente, patenteada, licenciada, autorizada, recomendada ou desaconselhada, frustrada, reformada, endireitada, corrigida. Submeter-se ao governo significa consentir em ser tributado, treinado, redimido, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; tudo isso em nome da utilidade pública e do bem comum. Então, ao primeiro sinal de resistência, à primeira palavra de protesto, somos reprimidos, multados, desprezados, humilhados, perseguidos, empurrados, espancados, garroteados, aprisionados, fuzilados, metralhados, julgados, sentenciados, deportados, sacrificados, vendidos, traídos e, para completar, ridicularizados, escarnecidos, ultrajados e desonrados. Isso é o governo, essa é a sua justiça e sua moralidade! … Oh personalidade humana! Como pudeste te curvar à tamanha sujeição durante sessenta séculos?

Aquele que botar as mãos sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo.



Pierre Proudhon, primeiro teórico a se declarar anarquista de forma clara e explicita

domingo, 5 de agosto de 2012

A Defesa da Democracia e do estado de Direito está de luto



É com muita tristeza e pesar que informo que o grande amigo de Blogosfera, Pedro Henrique Bougleux (59 anos) e sua esposa Nancy faleceram vítimas de um acidente na BR-365, próximo ao Trevo de Coromandel, na Região do Alto Paranaíba (Minas gerais).


Pedro fez parte de nosso convívio nos Blogs em defesas da democracia e do Estado de Direito por longos anos.
Que Deus os receba e proteja sua família que ficou.
Descanse em Paz, Amigo!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Como me tornei Libertário



Me identifiquei muito com este depoimento:

"John Stossel se considerava um esquerdista quando fazia faculdade e permaneceu sendo esquerdista no começo de sua carreira como jornalista. Então ele começou a ver que as suas ideias não tinham muita relação com a realidade e então resolveu pesquisar mais sobre o assunto, e acabou encontrando a literatura conservadora, que ele também viu que apesar de explicar algumas coisas corretamente, era muito moralista com muitas outras e focava em coisas que para ele eram lógicas, ou seja, que todas as pessoas devem ter seus direitos civis e pessoais protegidos do estado e de outros agressores. Então ele descobriu através da revista Reason que existiam pessoas que pensavam igual a ele; elas se denominam libertários."  

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Frase do Ano



“É chegada a hora de pararmos de pensar sistematicamente que o povo deve ser tutelado 


pelo estado, ou que o povo não tem capacidade de discernimento, ou que o povo 


brasileiro, em razão de condições sociais, não teria a dignidade como ser humano de saber


fazer as suas opções pessoais, individuais”. 




Dias Toffoli - ministro do STF




Apesar de sua formação sempre junto ao PT, o Ministro mostrou isenção e disse o que os brasileiros todos deveriam ouvir.

sábado, 19 de novembro de 2011

Uma ode em defesa da Liberdade

Amigos...
Chamo a atenção para essa pessoa: Ron Paul. Ele é candidato nas prévias Americanas do partido Republicano, para escolher o adversário de Obama, ano que vem.

É um discurso que exalta a Liberdade, e é de arrepíar. Fiquem a vontade, e é legendado.




quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Nova Ordem Mundial está se desintegrando





A Nova Ordem Mundial está em apuros.  A subdivisão europeia está visivelmente em processo de desintegração.
É fácil perceber quando um importante arranjo da NOM entrou em crise.  Os representantes da grande mídia perguntam repetidamente aos porta-vozes do alto escalão: "Os atuais eventos ameaçam seus planos?" E eles respondem: "Não, trata-se apenas de uma anormalidade temporária".  E esse mantra é repetido incessantemente.  Enquanto isso, os eventos que geraram a pergunta seguem irreprimíveis, tornando-se cada vez mais ameaçadores.
Outro sinal de que há uma verdadeira crise é quando os líderes políticos mundiais fazem sucessivas reuniões em um curto espaço de tempo, algo chamado 'reunião de cúpula' ou 'encontro de líderes'.  Uma cúpula significa "o topo do monte".  Os burocratas do mais alto escalão se encontram em privado, mas a reunião é visível para toda a mídia.
Os jornalistas adoram uma reunião de cúpula porque tais encontros sempre ocorrem em hotéis elegantes e em localidades pomposas.  Afinal, quem levaria a sério uma reunião ocorrida em, sei lá, Hoboken, Nova Jersey?  Ninguém.  Por isso, os líderes se encontram apenas em locais extremamente caros e sofisticados.  Os jornalistas designados para cobrir o evento se deliciam às expensas de seus jornais.  E todos os envolvidos se divertem bastante.
O problema com essa estratégia é que sempre aparecem alguns manifestantes, e eles quase nunca são importunados.  Eles não se hospedam no mesmo hotel luxuoso.  A mídia jamais relata onde exatamente eles se hospedam.  De alguma forma um tanto estranha, milhares deles possuem dinheiro sobrando para gastar com passagens aéreas.  Eles provavelmente encontram abrigo em algum subsolo de alguma loja a preços camaradas.  E então eles saem para se manifestar em frente ao hotel, carregando cartazes e fazendo muita balbúrdia.  "Chega disso!  Chega daquilo!  Chega disso!  Chega daquilo!".  Alguns até carregam um cartaz escrito "Libertem Mumia!".  E tudo segue inalterado até o fim do encontro.
Algumas vezes, as coisas ficam um pouco violentas, e alguns manifestantes são presos.
Os membros da cúpula nunca se manifestam publicamente sobre os protestos.  E a mídia educadamente jamais faz perguntas a respeito.
Findado o encontro, os líderes soltam um comunicado à imprensa assegurando ao mundo que a reunião foi repleta de discussões francas.  E que novas discussões francas serão mantidas por membros de um comitê permanente que foi criado com a missão de examinar as questões com mais profundidade.  Os participantes então se reúnem para uma foto do grupo.  E assim termina o encontro.
E Mumia continua preso.
Reuniões seguidas
Quando o grupo se reúne novamente em menos de dois meses para analisar O Problema, podemos ter a certeza de que as pessoas do topo do monte — e aqui me refiro ao topo verdadeiro, aos poderosos que jamais aparecem na mídia, e não aos seus meros representantes eleitos — estão com sérios problemas.  O encontro anterior de seus porta-vozes não acalmou a situação.  A crise só fez piorar.  Assim, uma ordem é emitida do Alto Escalão para os Líderes Oficiais: é melhor agendar outra reunião de cúpula.  O comunicado à imprensa emitido pela última reunião não funcionou.
Ato contínuo, os Líderes Oficiais pedem às suas assistentes para agendarem uma reserva em outro hotel garboso.  Eles fazem as malas, juntam seu séquito, acionam as turbinas de seus jatos exclusivos para Líderes Oficiais, e voam para outra cidade de prestígio, onde será realizado o próximo encontro.  Eles se reúnem em privado, mas desta vez permitem que os fotógrafos da mídia adentrem o recinto para tirar algumas fotos, as quais devem retratar uma ostentosa discussão franca entre os dois mais proeminentes Líderes Oficiais — uma alemã e um francês (ou, o que é mais raro, os três principais, ao qual se inclui um italiano).  A fotografia mostra os Líderes sentados em cadeiras de $2.500 e com um semblante de muita preocupação.
E então o grupo solta outro comunicado à imprensa anunciando a criação de uma estrutura permanente para futuras discussões sobre O Problema.
As bolsas de valores ao redor do mundo sobem acentuadamente por um dia.  E então, no dia seguinte, elas caem de volta para o nível em que estavam no dia anterior ao comunicado à imprensa.
Eis uma regra inquebrável: se houver uma terceira reunião de cúpula em um período de três meses, é porque o sistema bancário está realmente com sérios problemas.  Se, entre a segunda e a terceira reunião, houver algumas falências de bancos ou de corretoras dos quais o público jamais ouviu falar, mas os quais revelaram possuir ativos de dezenas de bilhões de dólares, então o pessoal do topo do monte estará em pânico.  Eles estarão se perguntando, "Quem será o próximo?"  Cada um deles irá pensar, "Talvez seja o meu banco".  Mas é claro que eles irão mencionar entre si apenas algum grande banco que vem tentando há anos entrar nesse círculo de privilegiados, mas que ainda não logrou êxito.
Múltiplas e seguidas reuniões de cúpula que discutem exatamente o mesmo problema são um sinal de que se trata de um problema que eles não estão conseguindo resolver.  O problema só faz piorar.
Reuniões de fim de semana
Uma reunião de cúpula sempre começa em uma sexta-feira e acaba no domingo.  O encontro sempre começa após as bolsas de valores localizadas no mesmo fuso horário do hotel elegante já terem encerrado o pregão do dia.  Desta forma, o mercado de ações dessa região não irá despencar, o que mandaria um sinal negativo para os outros mercados ainda em funcionamento nas outras zonas horárias.
A reunião de sábado é aquela na qual os líderes decidem quais questões serão abrangidas pelo comunicado à imprensa de domingo.  As principais áreas de discussão são as seguintes:
  1. Qual a quantia de dinheiro de impostos o comunicado à imprensa irá mencionar?
  2. Quais países ou quais organizações internacionais mais perderão com esse arranjo coletivo?  Em que quantia?
  3. Quanto tempo irá levar para se conseguir o dinheiro emprestado, e de quem?
  4. Quanto tempo até que a quantia necessária de dinheiro seja coletada?
  5. Quem irá telefonar para o primeiro-ministro chinês implorando por novas rodadas de compra de títulos?
As discussões são muito francas.  "Nem pensem em jogar esse problema pra mim!  Quantas vezes vocês acham que eu posso ir aos meus eleitores pedindo compreensão?  Minha coalizão já está prestes a se esfacelar!"  "Como vamos convencer os eleitores de que não estamos jogando o dinheiro deles no esgoto?"  "Qual país cujos três maiores bancos irão necessitar de uma nova rodada de injeção de fundos?"  "Qual país cujos bancos poderão vir ao nosso auxílio fornecendo os empréstimos necessários caso ofereçamos algumas garantias?"  E por aí vai.
E então chega o domingo.  Ninguém da reunião vai à igreja.  Como eles não participam de cultos religiosos em seu país natal, qualquer indicação de que estão necessitados de intervenção divina poderia mandar um sinal errado para os mercados na segunda-feira.
No domingo à tarde, eles emitem o comunicado à imprensa.
Se eles esperarem até o final da tarde de domingo, os mercados abrirão na segunda com uma queda de 1%.
Se eles não anunciarem nenhuma decisão, os mercados irão abrir em queda de 3%.
O comunicado à imprensa deve passar a impressão de que está dizendo alguma coisa nova.  Haverá um novo arcabouço para as futuras discussões.  O grupo prometeu um total de [X] bilhões de euros, a ser pago ao governo de [Y].  Isso significa que os bancos que emprestaram 4X euros a Y não irão à bancarrota.  Por enquanto.
O problema enfrentado pela reunião de cúpula deveria ser óbvio.  Dado que os grandes bancos fizeram empréstimos estúpidos — baseando-se em informações contábeis falsas fornecidas pelo último governo do país em questão —, ninguém sabe ao certo quais bancos possuem a classificação de crédito e o capital líquido suficiente para fazer os empréstimos prometidos à agência intereuropeia de resgate.  Toda a estrutura do sistema bancário está à beira do abismo.  Se dois ou três bancos anunciarem que estão quebrados, como aconteceu recentemente com o MF Global e com o Dexia, haverá uma corrida em manada dos hedge funds para realocar seus fundos remanescentes para aqueles bancos que todos julgam ainda estarem saudáveis.  Quais bancos seriam esses?  Ninguém sabe.  "Façam suas apostas.  O guichê já vai fechar."
As reuniões anuais do G-20
O G-20 é uma organização especializada em soltar comunicados anuais à imprensa dizendo que as condições financeiras mundiais estão sempre melhores do que estavam quando da ocasião imediatamente anterior à última reunião.  O último encontro agendado ocorreu na França, nos dias 14 e 15 de outubro.  Houve uma reunião de emergência na semana passada.
Nunca é demais analisar o website oficial de qualquer organização do alto escalão da Nova Ordem Mundial.  Tal tarefa requer uma tradução à parte, para desemaranhar todo aquele palavreado aparentemente inócuo.
O G-20 foi estabelecido em 1999, logo após a Crise Financeira Asiática de 1997, para reunir as principais economias desenvolvidas e emergentes em um esforço de estabilizar o mercado financeiro global.  Desde sua criação, o G20 realiza encontros anuais entre ministros das finanças e presidentes de bancos centrais para discutir medidas de promoção da estabilidade financeira mundial e de desenvolvimento e crescimento econômico sustentável.
Tradução: O G-20 foi criado para lidar com a primeira grande ameaça aos planos da Nova Ordem Mundial de lançar o euro em 2000, medida essa que representa o primeiro passo para a criação de uma moeda gerenciável em nível mundial.
Para atacar a crise financeira e econômica que se alastrou por todo o globo em 2008, os membros do G-20 foram chamados a fortalecer ainda mais a cooperação internacional.  Consequentemente, as reuniões de cúpula do G-20 ocorreram em Washington em 2008, em Londres e Pittsburgh em 2009, e em Toronto e Seul em 2010.
Tradução: o socorro à Ásia em 1998 manteve o sistema funcionando como deveria, principalmente porque os asiáticos estavam vivenciando um crescimento econômico.  Isso tirou os bancos do buraco.  Porém, em 2008, uma cepa diferente do vírus da "gripe asiática" contaminou o Ocidente.  Isso vem exigindo encontros anuais para tentar manter contidos os eminentes sinais de um colapso.
As ações coordenadas e decisivas do G-20, com sua equilibrada participação de países desenvolvidos e em desenvolvimento, ajudou o mundo a lidar de maneira eficaz com a crise financeira e econômica, de modo que o G-20 já apresentou um número de resultados concretos e significativos:
Tradução: quando uma reunião — da qual participam chefes de estado que entram e saem de seus respectivos cargos em formato de rodízio (no Japão, vários em apenas um ano) — diz solucionar os problemas financeiros mundiais em um encontro de fim-de-semana que ocorre apenas uma vez a cada ano, e do qual só se produz um comunicado à imprensa, pode estar certo de que há várias coisas ocorrendo por trás dos panos entre um encontro e outro.  Dentre as quais:
Primeiro, o escopo da regulamentação financeira tem sido enormemente ampliado, e a supervisão e regulamentação prudencial dos bancos tem sido intensificada.  Houve também um enorme progresso na coordenação política graças à criação de um arcabouço que permite um crescimento robusto, sustentável e equilibrado, criado para aprimorar a cooperação macroeconômica entre os membros do G-20 e, por conseguinte, mitigar o impacto da crise.  Finalmente, a governança global tem sido dramaticamente aprimorada para levar em consideração com mais eficiência o papel e as necessidades de países em desenvolvimento, especialmente por meio de reformas ambiciosas da governança do FMI e do Banco Mundial.
Tradução: a automática solução keynesiana para todos os problemas é uma só: mais regulamentações.  Em outros círculos, isso é conhecido como trancar a porta do estábulo após o cavalo já ter fugido.  O G-20 possui um arcabouço para um crescimento equilibrado, cuja oferta tem sido escassa desde 2008.  O FMI, por sua vez, se endividou pesadamente para poder conceder empréstimos vultosos a ditadores do Terceiro Mundo, os quais utilizaram esse dinheiro para aditivar suas contas bancárias na Suíça.
Baseando-se nos resultados destes importantes progressos, o G-20 tem agora de se adaptar a um novo ambiente econômico.  Ele deve comprovar ser capaz de coordenar as políticas econômicas das principais economias mundiais, de modo contínuo.
Tradução: o novo ambiente econômico é este: todo o sistema bancário de reservas fracionárias está se esfacelando, e será necessário um pouco mais do que meros comunicados à imprensa para mantê-lo operante.  Por trás do pano, cada governante está tentando jogar as responsabilidades para os outros governantes.  "Nossos bancos estão em piores condições do que os seus bancos!"
2011 será a ocasião para se aproveitar os recentes sucessos do G-20 e assegurar uma ativa continuação dos processos já iniciados.  Será também o momento para abordar outras questões essenciais que são cruciais para a estabilidade global, como a reforma do sistema monetário internacional e a volatilidade dos preços das commodities.
Tradução: "Estamos penando para conseguir manter o sistema coeso em decorrência de inúmeras quebras.  Isso é o máximo de sucesso que podemos apresentar no momento.  Enquanto isso, os mercados estão tão voláteis que estão chamando a atenção para o fato de que a combinação de inflação e recessão está se tornando visivelmente perturbadora."
Realmente acreditamos que os principais desafios econômicos da atualidade requerem uma ação coletiva e ambiciosa, a qual o G-20 é capaz de impulsionar.
Tradução: não sei o que "capaz de impulsionar" significa.  Desculpe.
Volatilidade revela instabilidade
As bolsas de valores este ano refletiram a presença de pessimismos relacionados (1) à iminente saída da Grécia da zona do euro, (2) à crescente probabilidade da Grécia dar um calote em suas dívidas baseadas em euro, (3) aos prejuízos de centenas de bilhões de euros sofridos pelos grandes bancos europeus, (4) à ameaça de quebras bancárias na Itália após o governo grego dar seu calote, (5) às trôpegas condições dos bancos portugueses e espanhóis, (6) à crescente probabilidade de uma recessão mundial em 2012, e (7) ao medo de um evento 'cisne preto' resultante de algum colapso à la Dexia.
As bolsas de valores também refletiram otimismos relacionados (1) ao poder relaxante dos comunicados à imprensa emitidos pelas reuniões de cúpula, (2) à esperança de que o banco central da China ainda continuará inflacionando sua moeda para poder comprar títulos lastreados em euro (com isso mantendo sua moeda desvalorizada e estimulando as exportações), (3) à esperança de que o Federal Reserve irá fazer algo novo que, de alguma maneira, irá reverter as coisas, (4) à esperança de que empresas com dinheiro em caixa irão anunciar programas de recompra de ações com o intuito de fazer com que as compras de opções sejam lucrativas para seus altos executivos.  
As bolsas de valores hoje estão mais voláteis do que jamais estiveram em épocas recentes.  Quem aplica em bolsa já sentiu: ninguém sabe o que está acontecendo.  Para o cidadão comum, as coisas não estão melhorando.  As girações das bolsas de valores são apenas ruídos.  Ele está preocupado com seu emprego — e por uma boa razão.
Conclusão
Os Detentores do Poder estão enfrentando problemas que não desaparecerão.  O núcleo do controle deles é o sistema bancário de reservas fracionárias e o mercado para títulos governamentais (dívida soberana).  Ambos estão sob enorme pressão.  Ambos estão mostrando sinais inéditos de vulnerabilidade.
As reuniões de cúpula do euro estão se transformando em reality shows.  Qual time será o dos Sobreviventes?  Merkel-Sarkozy?  Papandreou-Berlusconi?
Enquanto isso, a Estônia é a única nação no Ocidente que não está com problemas fiscais.
E há também a Islândia.
A Islândia, cujos bancos deram um calote de $85 bilhões em 2008, completou em agosto um programa de 33 meses do Fundo Monetário Internacional.  O Fundo projeta que a economia da Islândia irá crescer mais do que a média da zona do euro neste ano e no ano seguinte.  De acordo com o mercado de derivativos da dívida, é mais barato fazer seguro contra um calote islandês do que fazer hedge contra um evento qualquer no bloco monetário único europeu.
Islândia e Estônia nunca foram convidadas para as reuniões de cúpula europeias.  Ambas não estão no G-20.  Há uma lição aí.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A ascensão do capitalismo








O sistema pré-capitalista de produção era restritivo.  Sua base histórica era a conquista militar.  Os reis vitoriosos cediam a terra conquistada aos seus paladinos.  Esses aristocratas eram lordes no sentido literal da palavra, uma vez que eles não dependiam de satisfazer consumidores; seu êxito não dependia de consumidores consumindo ou se abstendo de consumir seus produtos no mercado.
Por outro lado, eles próprios eram os principais clientes das indústrias de processamento, as quais, sob o sistema de guildas, eram organizadas em um esquema corporativista (as corporações de ofício).  Tal esquema se opunha fervorosamente a qualquer tipo de inovação.  Ele proibia qualquer variação e divergência dos métodos tradicionais de produção.  Era extremamente limitado o número de pessoas para quem havia empregos até mesmo na agricultura ou nas artes e trabalhos manuais.  Sob essas condições, vários homens, para utilizar as palavras de Malthus, descobriram que "não há vagas para eles no lauto banquete da natureza", e que ela, a natureza, "o ordena a dar o fora".[1]  Porém, alguns destes proscritos ainda assim conseguiram sobreviver e ter filhos.  Com isso, fizeram com que o número de desamparados crescesse desesperadoramente. 


Mas então surgiu o capitalismo.  É costume ver as inovações radicais que o capitalismo produziu ao substituir os mais primitivos e menos eficientes métodos dos artesãos pelas fábricas mecanizadas.  No entanto, esta é uma visão bastante superficial.  A feição característica do capitalismo que o distinguiu dos métodos pré-capitalistas de produção era o seu novo princípio de distribuição e comercialização de mercadorias.


O capitalismo não é simplesmente produção em massa, mas sim produção em massa para satisfazer as necessidades das massas.  As artes e os trabalhos manuais dos velhos tempos eram voltados quase que exclusivamente para os desejos dos abastados.  E então surgiram as fábricas e começou-se a produzir bens baratos para a multidão.  Todas as fábricas primitivas foram concebidas para servir às massas, a mesma camada social que trabalhava nas fábricas.  Elas serviam às massas tanto de forma direta quanto indireta: de forma direta quando lhes supriam produtos diretamente, e de forma indireta quando exportavam seus produtos, o que possibilitava que bens e matérias-primas estrangeiros pudessem ser importados.  Este princípio de distribuição e comercialização de mercadorias foi a característica inconfundível do capitalismo primitivo, assim como é do capitalismo moderno.


Os empregados são eles próprios os consumidores da maior parte de todos os bens produzidos em uma economia.  Eles são os consumidores soberanos que "sempre têm razão".  Sua decisão de consumir ou de se abster de consumir determina o que deve ser produzido, em qual quantidade, e com que qualidade.  Ao consumirem aquilo que mais lhe convém, eles determinam quais empresas obtêm lucros e quais sofrem prejuízos.  Aquelas que lucram expandem suas atividades e aquelas que sofrem prejuízos contraem suas atividades.  Desta forma, as massas, na condição de consumidores no mercado, estão continuamente retirando o controle dos fatores de produção das mãos dos empreendedores menos capazes e transferindo-o para as mãos daqueles empreendedores que são mais bem sucedidos em satisfazer seus desejos.


Sob o capitalismo, a propriedade privada dos fatores de produção por si só representa uma função social.  Os empreendedores, os capitalistas e os proprietários de terras são os mandatários, por assim dizer, dos consumidores, e seus mandatos são plenamente revogáveis.  Em um mercado livre e desimpedido, no qual não há regulamentações, subsídios ou protecionismos, para um indivíduo ser rico, não basta ele ter poupado e acumulado capital.  É necessário que ele invista, contínua e repetidamente, naquelas linhas de produção que melhor atendam aos desejos dos consumidores.  O processo de mercado torna-se um plebiscito que é repetido diariamente, e que inevitavelmente expulsa da categoria dos eficazes e rentáveis aquelas pessoas que não empregam sua propriedade de acordo com as ordens dadas pelo público.  Consequentemente, no livre mercado, as grandes empresas — sempre o alvo do ódio fanático de todos os governantes e de pretensos intelectuais — adquirem e mantêm seu tamanho unicamente pelo fato de elas atenderem aos desejos das massas.  As indústrias voltadas para satisfazer os luxos de poucos jamais adquirem um tamanho significativo.


A principal falha dos historiadores e políticos do século XIX foi terem se mostrado incapazes de perceber que os trabalhadores eram os principais consumidores dos produtos das indústrias.  Na visão deles, o assalariado era um homem trabalhando árdua e exaustivamente para beneficiar unicamente uma classe ociosa e parasítica.  Tais pessoas estavam sob a ilusão de que as fábricas haviam prejudicado todos os trabalhadores manuais.  Tivessem eles prestado um pouco mais de atenção nas estatísticas, teriam facilmente descoberto a falácia desta sua opinião.  A mortalidade infantil foi reduzida, a expectativa média de vida aumentou, a população se multiplicou e o cidadão comum passou a usufruir confortos que os mais abastados das épocas mais antigas sequer sonhavam existir.


No entanto, este enriquecimento sem precedentes das massas foi meramente um subproduto da Revolução Industrial.  Sua principal façanha foi retirar a supremacia econômica das mãos dos proprietários de terra e transferi-la para a totalidade da população.  O cidadão comum não mais era um servo que tinha de se satisfazer com as migalhas que caíam das mesas dos ricos.  As três castas párias que caracterizaram as épocas pré-capitalistas — os escravos, os servos, e aquelas pessoas a quem os autores patrístios e escolásticos, bem como a legislação britânica dos séculos XVI ao XIX, se referiam como 'os pobres' — desapareceram.  Seus descendentes se tornaram, neste novo arranjo econômico, não apenas trabalhadores livres, mas também consumidores.


Esta mudança radical se refletiu na ênfase que as empresas passaram a dar aos mercados.  O que uma empresa necessita acima de tudo é de mercados e mais mercados.  'Atender ao mercado' passou a ser o lema das empresas capitalistas.  Mercados — isto significa clientes, compradores, consumidores.  Sob o capitalismo, há apenas uma forma de enriquecer: servir aos consumidores de uma maneira melhor e mais barata do que fazem as outras pessoas, os concorrentes.


Dentro das empresas e indústrias, o proprietário — ou, nas grandes corporações, o representante dos acionistas, o presidente — é o chefe.  Porém, este controle é apenas aparente e condicional.  Ele está sujeito à supremacia dos consumidores.  O consumidor é o rei, é o verdadeiro chefe, e o produtor estará acabado caso ele não supere seus concorrentes na disputa de melhor servir aos consumidores.


Foi esta grande transformação econômica que mudou a face do mundo.  Ela rapidamente transferiu o poder político das mãos de uma minoria privilegiada para as mãos do povo.  À emancipação industrial seguiu-se o direito ao voto para os adultos.  O cidadão comum, para quem o processo de mercado havia dado o poder de escolher os empreendedores e os capitalistas, adquiriu o poder análogo no campo governamental.  Ele se tornou um eleitor.


Já foi observado por eminentes economistas, creio que primeiramente por Frank A. Fetter, que o mercado é uma democracia na qual cada centavo dá direito a votar.  Seria mais correto dizer que um governo representativo escolhido pelas pessoas é uma tentativa de se arranjar as questões constitucionais de acordo com o modelo do mercado.  Porém, tal intento jamais pode ser completamente realizado.  No campo político, será sempre a vontade da maioria que irá prevalecer, de modo que as minorias devem se limitar apenas a aquiescer.  Já no mercado, as minorias também são servidas, desde que elas não sejam tão insignificantes em número a ponto de se tornarem negligenciáveis.  A indústria de vestuário produz roupas não somente para pessoas normais, mas também para os obesos, e as editoras não publicam somente romances policiais para as massas, mas também livros para leitores específicos e exigentes.


Há uma segunda e importante diferença.  Na esfera política, não há como um indivíduo ou um pequeno grupo de indivíduos desobedecerem a vontade da maioria.  Porém, no campo intelectual, a propriedade privada faz com que rebeliões sejam possíveis.  O rebelde tem um preço a pagar por sua independência; na há prêmios neste universo que possam ser conquistados sem sacrifícios.  Porém, se um homem estiver disposto a pagar o preço, ele é livre para divergir e se afastar da ortodoxia ou da neo-ortodoxia dominante.


Quais teriam sido as condições, nas comunidades socialistas, para heréticos como Kierkegaard, Schopenhauer, Veblen ou Freud? Para Monet, Courbet, Walt Whitman, Rilke ou Kafka?  Em todas as épocas, os pioneiros e desbravadores das novas formas de pensamento e atitude só puderam atuar porque a propriedade privada tornou possível que indivíduos pudessem expressar seu descontentamento para com a maioria e, consequentemente, pudessem praticar sua desobediência.  Apenas alguns poucos destes separatistas eram economicamente independentes o suficiente para desafiar o governo perante as opiniões da maioria.  Os outros tiveram de procurar (e encontraram) na livre economia pessoas preparadas para ajudá-los e lhes fornecer suporte.  O que teria sido de Marx sem seu patrono, o industrial Friedrich Engels?


MISES BRASIL

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A segunda crise do socialismo



Que tipo de crise é esta?

Esta certamente é uma crise financeira. Suas origens estão firmemente localizadas no sistema financeiro e monetário: dinheiro, crédito, endividamento e setor bancário. E não creio que o presidente do Banco da Inglaterra tenha exagerado quando especulou sobre a magnitude da crise. Esta definitivamente é a maior de todas.

Dado que todos nós concordamos que o que estamos vivenciando não é apenas mais um ciclo econômico corriqueiro, a pergunta é: com o que exatamente estamos lidando aqui? Como devemos definir esta crise e em qual contexto ela pode ser mais bem compreendida?

Esta crise é sistêmica, e não cíclica. É uma crise de instituições. É uma crise de políticas. É uma crise da nossa arquitetura financeira.

Quando a crise começou em 2007 e se intensificou ao longo de 2008, ela foi frequentemente rotulada como sendo uma "crise do capitalismo". Hoje você não mais ouve esse slogan com tanta frequência. É verdade que ainda há aqueles lapsos ocasionais, tristemente pronunciados até mesmo por economistas, mas quanto mais a crise se prolonga e quanto mais os holofotes permanecem direcionados sobre os sistemas bancários e financeiros, mais se torna explícito para o público o tanto que a atual arquitetura financeira é evidentemente conduzida não pela "mão invisível" do mercado, mas sim pela mão controladora do estado.

Sempre que uma nova rodada de "recapitalização" de bancos é anunciada, presumivelmente à custa dos pagadores de impostos — explicitando assim mais uma vez o fato de que os bancos estão acima do status de empresas capitalistas normais e falíveis —, e quando se anuncia pela enésima vez que a salvação de nossa extremamente endividada dar-se-á por meio de ainda mais endividamento do governo ou por meio de mais injeções de dinheiro criado do nada pelo banco central (um monopólio estatal) — o qual será entregue às pessoas como um aparente incentivo para elas se endividarem ainda mais —, o público começa a imaginar se as autoridades econômicas não estão completamente perdidas, e se não deveríamos temer mais os "pacotes de estímulo" do que o mercado desregulamentado.

Por que estamos nessa bagunça?

"Bancos descapitalizados" é um eufemismo para bancos que emprestaram demasiadamente, mais do que deveriam. Como podem os bancos ter emprestado tanto assim — algo que eles obviamente vêm fazendo há anos, até mesmo há décadas, e o fizeram ao redor de todo o mundo nesta que foi a mais duradoura e persistente farra creditícia da história — estando todos eles sob o controle de seus respectivos bancos centrais estatais? Afinal, sabe-se que, em um sistema de dinheiro de papel, os bancos centrais possuem o monopólio da impressão (ilimitada) de reservas bancárias, e são eles que administrativamente decretam as taxas básicas de juros da economia, o que significa que eles podem controlar as condições em que são realizados empréstimos. Logo, por que o atual colapso não é mais adequadamente rotulado de falha estatal, em vez de falha de mercado?

Lembrem-se de que a mudança de um sistema monetário apolítico, inflexível e baseado em uma commodity pra um sistema monetário em que há impressão ilimitada de dinheiro de papel, tudo sob total controle do estado, foi uma decisão puramente política, e não o resultado de forças de mercado. E tudo isso só desabrochou completamente com a abolição dos últimos resquícios do padrão-ouro, por obra e graça de Richard Nixon, em 1971. O atual sistema financeiro é resultado de planejamento político e de teorias macroeconômicas populares, ambas as quais foram criadas para proveito próprio dos governos e que agora se revelam completamente falhas, justamente por não serem resultado da espontânea cooperação humana que ocorre nos mercados.

A adoção de um sistema monetário cuja moeda é fiduciária e totalmente elástica libertou tanto os governos quanto seus protegidos — o setor bancário — dos grilhões impostos por uma moeda-commodity naturalmente inelástica, como era o ouro. Sem a camisa de força de um padrão-ouro, os governos obtiveram controle irrestrito sobre as impressoras de dinheiro, o que lhes permitiu "gerenciar" a economia, socorrer bancos, impedir ou encurtar recessões, e determinar as condições dos empréstimos — condições mais generosas, é claro, inclusive para si próprio.

Após 40 anos de moeda totalmente controlada pelo governo, eis aí o resultado.

Esta crise é o inevitável resultado da perigosa crença de que baixas taxas de juros, investimentos e prosperidade duradoura podem ser estimulados por meio do atalho fornecido pela impressão de dinheiro e por seus dois filhos gêmeos: empréstimos a juros artificialmente baixos e criação infinita de crédito bancário. A intenção era justamente abolir a maneira mais difícil (a maneira capitalista) de se enriquecer: o tradicional método de poupar e acumular capital genuíno.

Esta não é uma crise do capitalismo. Meu bom amigo Brian Micklethwait criou uma frase muito melhor para defini-la: estamos vivenciando a segunda crise do socialismo. Estamos testemunhando a morte do padrão-dinheiro-de-papel, 40 anos após o sistema financeiro global ter perdido seu último elo com o ouro e todo o sistema monetário ao redor do mundo ter se tornado simplesmente um monopólio territorial e irrestrito dos governos. O que estamos descobrindo agora é isto: o estado e os bancos precisam de uma camisa de força, caso contrário eles irão, mais cedo ou mais tarde, arrastar todos nós para um buraco negro.

Por que este sistema é socialista?

Há duas maneiras pelas quais um sistema monetário pode ser organizado: ou o mercado escolhe qual será seu dinheiro, ou o estado o faz.

O dinheiro escolhido pelo livre mercado, pelo capitalismo, sempre foi uma moeda-commodity que estivesse fora do controle político. Sempre que o público teve liberdade de escolha, ele optou por utilizar como dinheiro commodities cuja oferta fosse razoavelmente inelástica. Quase todas as sociedades, em todas as culturas e civilizações, utilizaram metais preciosos como dinheiro.

Um dinheiro baseado em commodity é um dinheiro apolítico. Ninguém pode criá-lo à vontade para se financiar a si próprio ou para manipular a economia. De maneira crucial, a cooperação humana por meio do comércio não acaba nas fronteiras políticas, de modo que a moeda-commodity sempre transcendeu tais fronteiras. Se o ouro era a moeda de um lado da fronteira, ele normalmente também era dinheiro do outro lado da fronteira, independentemente de qual imagem ou figura estava estampada nele.

Em contraste, sistemas baseados completamente em um dinheiro de papel que não possui elos a nenhuma commodity são e sempre serão criação de políticos. Em tais sistemas, o dinheiro pode ser "imprimido" essencialmente a custo zero — e, logo, praticamente sem limite. Mas não por qualquer pessoa. Impressão de dinheiro é privilégio exclusivo do estado e de seu banco central. O dinheiro, neste sistema, é totalmente elástico. No entanto, trata-se de um dinheiro político e estreitamente ligado às autoridades políticas. Em um mundo de dinheiro de papel, se você cruza uma fronteira política você tem de trocar seu dinheiro por um dinheiro diferente. Toda a eficiência dos atuais mercados de câmbio, que funcionam 24 horas por dia e movimentam vários trilhões de dólares, e que tão facilmente impressionam o observador leigo — para quem ele exemplifica o próprio capitalismo global —, nada mais é do que a tentativa do mercado de lidar da melhor maneira possível com a ineficiência do nacionalismo monetário e da segregação monetária, que são resultado do fato de todos os governos nacionais quererem ter seu próprio dinheiro de papel sob seu próprio controle político e territorial.

Chamar este sistema de capitalista significa despojar a palavra capitalismo de qualquer significado.

Neste admirado novo sistema de papel-moeda fiduciário e totalmente elástico, deixamos nossas questões financeiras não nas mãos do mercado livre e desimpedido, mas sim nas mãos do estado, de políticos e de bancos centrais. Seria muito mais adequado rotular este sistema de socialista, e não de capitalista. E este sistema fracassou. Novamente.

Quem são os beneficiários?

Por décadas, este sistema beneficiou o estado, os bancos, a ampla indústria financeira — todos os quais cresceram muito mais do que qualquer outra área da sociedade —, e todos aqueles que possuem ativos que são utilizados como colateral para alavancar os balancetes dos bancos: imóveis, ações, opções . Os custos deste sistema foram difundidos para todo o público por meio de inflação e de ocasionais pacotes de socorro financiados pelo contribuinte. Isto é socialismo para os ricos.

Exatamente como a primeira crise do socialismo — o colapso das economias planejadas sob orientação soviética em 1989 —, esta atual crise, a crise das finanças controladas pelos governos, também irá testemunhar a derrubada do atual establishment, embora as lideranças partidárias continuem nos dizendo que está tudo sob controle: "Não há nada a temer, camaradas! Bastam mais alguns déficits e novas rodadas astutas de impressão de dinheiro, e a produção de tratores rapidamente voltará aos níveis de antes."

E assim como ocorreu durante o colapso dos estados socialistas, a burocracia do papel-moeda estatal também possui seus crentes fervorosos, que se negam a enxergar o óbvio. Pessoas como o economista Adam Posen, grande entusiasta das políticas de "afrouxamento quantitativo" do Banco da Inglaterra mantêm um otimismo e uma fé pueris no poder mágico da impressora. Se 200 bilhões de libras criadas pelo Banco Central inglês — engenhosamente colocados nos cofres dos bancos e do governo, não solucionaram a crise, então certamente as próximas 75 bilhões de libras irão. E por que parar por aí? Com mais 175, ou 275 ou 375 bilhões de libras, todos os britânicos irão novamente encontrar bons empregos, com bons salários. Para pessoas como Posen, o problema com uma economia planejada não é que ela seja planejada, mas sim que o planejamento não esteja sendo suficientemente ousado.

Já o presidente do Banco Central da Inglaterra, Mervyn King , parece fazer as vezes de Gorbachev: ele não é um descrente, mas é cético e esperto o bastante para não se apresentar como um membro completo deste Politburo. Há uma fascinante entrevista sua, de setembro do ano passado, que não ganhou a atenção que deveria nos círculos financeiros, presumivelmente porque era parte de um programa de história da BBC sobre o papel-moeda da China e não sobre as políticas monetárias atuais. Você pode conferi-la aqui , vale muito a pena. Se você for ao marco de 11 minutos e 58 segundos, verá a seguinte pergunta lhe sendo feita: estariam todos os sistemas baseados em dinheiro de papel fadados ao colapso? King responde que não, crê ele, nem todos (embora absolutamente todos de fato já tenham fracassado), mas admite que a recente crise fez com que ele se tornasse um pouco mais cauteloso quanto a essa sua afirmação. Talvez o júri que irá decidir sobre o destino do dinheiro de papel ainda não tenha retornado à bancada. Pensamento notável para um banqueiro central.

Em meu novo livro Paper Money Collapse - The Folly of Elastic Money and the Coming Monetary Breakdown , demonstro — conclusivamente, creio eu — que sistemas baseados em dinheiro elástico são sempre inferiores a sistemas baseados em dinheiro inelástico, e que sistemas de dinheiro elástico não podem se manter estáveis; eles sempre, inevitavelmente, desorganizam e perturbam o mercado, levando a um acúmulo de desequilíbrios ao longo do tempo. Eles inevitavelmente acabam em desintegração econômica e caos. O dinheiro de papel não é apenas ineficiente; ele é insustentável.

Esta crise ilustra simplesmente o fim da mais recente encarnação de um sistema monetário fiduciário e estatal. Assim como a primeira crise do socialismo, esta crise também irá afetar as vidas de inúmeras pessoas, irá causar revoltas, sublevações e irá desalojar toda uma elite financeira de sua arraigada e bem estabelecida posição de poder e privilégio. Assim como a primeira crise do socialismo, temos uma oportunidade de liberdade.

Porém, ao contrário da primeira crise do socialismo, desta vez não há um Muro de Berlim a ser derrubado, e nem um canteiro lamacento no interior da Hungria com um buraco na cerca, por meio do qual podemos atravessar. O atual socialismo monetário é global. E o colapso deste sistema também será global.

Obviamente, os estados têm tudo a perder, e o poder estatal tem o hábito de não aceitar pacificamente perdas de poder. Sabe-se lá o que pode acontecer. Talvez haja estatizações de bancos, imposição de controles de capital, confisco de ouro em posses privadas ou mesmo uma pesada tributação do metal, banimento total da Bitcoin e a imposição de que todos os fundos de pensão comprem mais títulos do governo.

Neste caso, pode-se argumentar que não estamos no verão de 1989, mas sim na primavera de 1968. Não mudaria o estágio final, apenas a linha do tempo. Mas ainda assim creio que já é tarde demais. Estamos mais próximos do 'momento Muro de Berlim' do atual sistema do que muita gente imagina.

Até lá, a devastação do papel-moeda vai continuar.


INSTITUTO MISES BRASIL